
[Ilustração: Camille Chaudel]
Se existia uma coisa que lhe doía o coração, era vê-lo mal por algo que ela havia feito, ou dito. Ele era um sonhador, e aquilo fazia dele um menino grande, que a encantava. Parecia a ela, que desencantava ele, e lhe trazia à realidade, e realmente o fazia. Mas a realidade era um tanto sem graça e fria demais, para alguém com aquele espírito. Olhar nos olhos dele, enquanto se dizia um bobo por ser como era, apertava nela, o coração, e lhe tirava o ar. A garganta parecia presa, e não saía coisas que ela queria dizer. Era uma mágoa que sentia dela mesma, que machucava ainda mais.
Ela se lembra bem, de quando confundia a realidade com seus sonhos, e fazia sonhos o que era real. Tudo ela transformava e entendia como queria, como uma personagem de um filme que ele lhe emprestou [e do qual ela não se lembra o nome]. Por fantasiar tanto, ela acabou por se decepcionar algumas vezes ao se deparar com a realidade, e por esse motivo, passou a separar as coisas com a finalidade de evitar que tirasse completamente os pés do chão.
E os momentos mais bonitos estavam em seus sonhos, e era chato voltar a realidade. No momento em que ela o conheceu, adentrou em um mundo que ela não conhecia. E o sonhar dele faz-lhe parecer que tudo é possível. E por medo de perder, ela não deixa de lado essa possibilidade.
Parece que por mais que seu coração já se tenha permitido viver sonhando, e acreditando, e simplesmente amando, sua mente continua lembrando-a de que ela querer e sonhar, não significa ter, e realmente acontecer. E ela realmente se deixou levar [em um momento em que dizia que não queria voltar a amar tão sedo, sem saber, porém, que amor de verdade ainda não tinha conhecido], e se entregou ao sentimento que sente, pelo menos de alma. Mas tinha tanto medo do que poderia acontecer amanhã, que se forçava a não esquecer que poderiam estar juntos [e assim estaria feliz], mas que também poderiam não mais estar [e ela confessa que só em pensar nisso já lhe dói a alma].
Parece que por mais que seu coração já se tenha permitido viver sonhando, e acreditando, e simplesmente amando, sua mente continua lembrando-a de que ela querer e sonhar, não significa ter, e realmente acontecer. E ela realmente se deixou levar [em um momento em que dizia que não queria voltar a amar tão sedo, sem saber, porém, que amor de verdade ainda não tinha conhecido], e se entregou ao sentimento que sente, pelo menos de alma. Mas tinha tanto medo do que poderia acontecer amanhã, que se forçava a não esquecer que poderiam estar juntos [e assim estaria feliz], mas que também poderiam não mais estar [e ela confessa que só em pensar nisso já lhe dói a alma].
A última coisa que ela queria, era trazê-lo para a realidade, e fazê-lo deixar de acreditar neles dois, pois ela precisava daquilo que lhe era uma válvula de escape. Era o sonhar dele, que a fazia sonhar também. E ela tem sentido que tem feito tão mal a ele, que sentia vontade de chorar. A última coisa que ela queria na vida, era fazê-lo se sentir mal. Não era justo com alguém que fazia tão bem a ela, que simplesmente gostava sem pensar em “porens”, que lhe ensinava todos os dias, que amar [como uma mensagem que ele mandou] “não é ter que ter sempre certeza”.
Meu amor, não me deixe te trazer para o chão, pois esse “bobo” do qual você se chama, é o homem por quem me apaixonei. Ao invés disso, me leve até você, e me ensine a não temer de novo, e sonhar, e crer em contos de fadas, pois apesar de não ser perfeito [nenhum de nós é], você é meu príncipe encantado. Eu não quero por todas as circunstâncias em que vivi, deixar de viver por medo do que virá. E preciso reaprender isso, pois apesar de não deixar de fazer as coisas que acho que valem a pena, eu continuo não me permitindo acreditar naquilo que é incerto. Só que incerto, não é meu amor por você. E ele não merece ser podado pelas incertezas.
Peço a você, ainda, que não se julgue o errado, pois não é você quem erra. É feliz quem sonha meu amor... E é também quem vive [não foi o que me disse]. Magoou-me ver o que te fiz, e te ouvir dizer que se sente pequeno, e com o coração apertado. E apertado, após dizer e ouvir, ficou o meu. Eu não preciso [nem você], nem quero que deixe nunca de ser esse bobo. O que eu preciso é que não me deixe continuar assim como hoje sou, pois essa, não é quem eu realmente quero ser...
E no demais, eu simplesmente amo você!
Peço a você, ainda, que não se julgue o errado, pois não é você quem erra. É feliz quem sonha meu amor... E é também quem vive [não foi o que me disse]. Magoou-me ver o que te fiz, e te ouvir dizer que se sente pequeno, e com o coração apertado. E apertado, após dizer e ouvir, ficou o meu. Eu não preciso [nem você], nem quero que deixe nunca de ser esse bobo. O que eu preciso é que não me deixe continuar assim como hoje sou, pois essa, não é quem eu realmente quero ser...
E no demais, eu simplesmente amo você!

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