
Ela se pôs nas pontas dos pés para beijá-lo. Não que fosse necessário, mas ela fazia aquilo [involuntariamente] quando ia beijar os lábios dele. Abraçava-o e tirava os calcanhares do chão sem ao menos perceber. Foi depois que ele comentou que ela percebeu que o fazia. Diz ele, que dizia sua avó, que mulheres que beijavam nas pontas dos pés, estavam perdidamente apaixonadas. Pode ser que seja verdade. Ela fizera aquilo tantas vezes com ele, que nem se lembrava porque, nem em que momento se colocava nas pontas dos pés...
Isso, porém, não vem ao caso. No final do último domingo, após um final de semana insuportável, eles se encontraram para conversar sobre algumas coisas que ficaram às avessas entre eles. Alguns mal entendidos entre ambos, provocaram 12 km de caminhada para ele, e irritações e frustrações para ela. As interpretações sempre foram um "probleminha" entre eles. Ele tinha uma intenção, ela entendeu outra... E assim vice e versa. Mas felizmente, ainda que no fim de domingo, eles resolveram as coisas, depois que ele a ligou [e ela havia tentado, muitas vezes...Só para constar...rs].
Ele a acompanhou até a casa dela. Sentaram na calçada e ficaram conversando. Ao fim, por volta das dez, ele resolveu ir pois estava tarde e ele ainda jantaria. Beijaram-se alí mesmo [enfrente a casa dela], e foi nas pontas dos pés, com os lábios nos dele que ela percebeu a ironia da vida. Tanto precisam se esconder para ficarem juntos... Tanto trabalho ela tem para inventar qualquer coisa e sair de casa para encontrá-lo, e estavam alí! Na calçada da casa dela, com os pais dentro da casa, conversando tranquilamente olhando as estrelas. Até podem beijar que ninguém incomoda ligando para seu celular, e ela não corre preocupada se seus pais a procuram ou não.
Alí, debaixo do nariz de quem tanto a prende, era o lugar onde parecia mais tranquilo [claro que não o mais conveniente]. Tinham a presença única, quando ele queria, do cachorrinho dela [em quem ele acha que manda...E o pior é que o cachorro obedece]. Ela no momento daquele beijo, achou engraçado tudo aquilo. Como a vida é irônica. Sacana! Alí, numa forma tão adolescente de se ficar, ela estava beijando-o. Disse isso a ele. Beijou-o uma última vez e entrou.


