terça-feira, 6 de maio de 2008

Na calçada


Ela se pôs nas pontas dos pés para beijá-lo. Não que fosse necessário, mas ela fazia aquilo [involuntariamente] quando ia beijar os lábios dele. Abraçava-o e tirava os calcanhares do chão sem ao menos perceber. Foi depois que ele comentou que ela percebeu que o fazia. Diz ele, que dizia sua avó, que mulheres que beijavam nas pontas dos pés, estavam perdidamente apaixonadas. Pode ser que seja verdade. Ela fizera aquilo tantas vezes com ele, que nem se lembrava porque, nem em que momento se colocava nas pontas dos pés...

Isso, porém, não vem ao caso. No final do último domingo, após um final de semana insuportável, eles se encontraram para conversar sobre algumas coisas que ficaram às avessas entre eles. Alguns mal entendidos entre ambos, provocaram 12 km de caminhada para ele, e irritações e frustrações para ela. As interpretações sempre foram um "probleminha" entre eles. Ele tinha uma intenção, ela entendeu outra... E assim vice e versa. Mas felizmente, ainda que no fim de domingo, eles resolveram as coisas, depois que ele a ligou [e ela havia tentado, muitas vezes...Só para constar...rs].
Ele a acompanhou até a casa dela. Sentaram na calçada e ficaram conversando. Ao fim, por volta das dez, ele resolveu ir pois estava tarde e ele ainda jantaria. Beijaram-se alí mesmo [enfrente a casa dela], e foi nas pontas dos pés, com os lábios nos dele que ela percebeu a ironia da vida. Tanto precisam se esconder para ficarem juntos... Tanto trabalho ela tem para inventar qualquer coisa e sair de casa para encontrá-lo, e estavam alí! Na calçada da casa dela, com os pais dentro da casa, conversando tranquilamente olhando as estrelas. Até podem beijar que ninguém incomoda ligando para seu celular, e ela não corre preocupada se seus pais a procuram ou não.

Alí, debaixo do nariz de quem tanto a prende, era o lugar onde parecia mais tranquilo [claro que não o mais conveniente]. Tinham a presença única, quando ele queria, do cachorrinho dela [em quem ele acha que manda...E o pior é que o cachorro obedece]. Ela no momento daquele beijo, achou engraçado tudo aquilo. Como a vida é irônica. Sacana! Alí, numa forma tão adolescente de se ficar, ela estava beijando-o. Disse isso a ele. Beijou-o uma última vez e entrou.

12Km por Amor, ou TPMzinha dos infernos...

[Ilustração: Renoir]


Por Dom

Sexta foi um dia lindo, perfeito. Começou quando a pegou em casa e levo-a para retirar o título de eleitor. O lugar era no fim do mundo e descobriu que foi a melhor coisa que fez em toda a sua vida. O lugar não era ambiente para uma moça como ela ir sozinha. Ficou triste pq a moto não passava num lago de lama e poderia ter ido por outro lugar para saber se dava pra passar e não o fez antes, fato que a obrigou melar os pezinhos. Esperou todo o tempo que fizeram-nos esperar para retirar o documento. Ela se emancipara politicamente.

Ia deixá-la em casa, mas disse que iria ao centro ver perfumes. Claro que não a deixou ir sozinha e a pé num lugar tão longe. Levou-a para o centro daquela cidade louca, com todo o cuidado do mundo e respeitando as leis de trânsito, para que escolhesse todos os perfumes do mundo. A protegeu do transito caótico e mais uma vez quis levá-la para casa. Ainda não quis ir, pois tinha que comprar carne para o almoço. Bife! Ele pediu para ela em alto e bom som: Bife!

Na volta pediu para passar na casa da amiga [dela] que ele mais gostava. Eram duas, mas a outra era irresponsável e ele não simpatizava com ela, além de achar que ela não era boa influência. Foi-se. Deixou em casa e foi para a sua. Tomou um banho, trocou de roupa e foi a faculdade. Falaram-se ainda, a tarde e até então, tudo normal.

À noite veio e com ela o prenúncio de uma tragédia grega: algo tinha lhe acontecido entre o intervalo em que não se falaram. Mas ele não sabia de nada e nem tinha como saber, já que ele não fora informado sobre o que tinha acontecido com o irmão dela. Agiu naquela noite como agia sempre que algo acontecia no que concernia a relação deles.

Ele ia lhe falar no sábado [e o fez]. Mas teve um susto com as mensagens e depois com o tom lacônico de sua voz. Ela estava armada, travada e bruta. Ele se assustou tanto com aquilo, que em alguns momentos ficou sem saber o que falar. Ela não dava espaço pra ele se justificar. Até pediu perdão a ela, pela maneira como agiu [ele não sabia de nada]. Mas ela não queria acordo e com aquela voz fria e as frases articuladas [não era ela, não era a sua garotinha].


Pediu para buscá-la em casa e conversar pessoalmente, mas ela disse que a sua AMIGA estava lá e que não precisava de mim [isso quem diz sou eu]. Imagino que agora todas as AMIGAS já estavam sabendo que eu seria um canalha insensível e que deve receber aqueles conselhos que todos os AMIGOS ou AMIGAS idiotas gostam de dar nessas horas.

Eu fiquei tão desconcertado com tudo aquilo que peguei a moto e sai da faculdade em direção ao nada [eu devia saber disso e ter um mapa antes de fazer isso ]. Acho que estava chegando a uma cidade chamada São Desidério, tinha percorrido uns 12 quilômetros e faltavam uns 14 a mais. A 120 quilômetros por hora, absorto em pensamentos de toda a sorte [em relação a ela], não percebeu que a gasolina estava no fim.

E o pior aconteceu: fiquei no meio do nada e de lugar nenhum. Conseguiu levar a moto até um assentamento de sem-terras pediu gasolina, mas não tinham. Resultado: deixou a moto lá e caminhou os 12 quilômetros que tinha percorrido de volta. Não pegou nenhuma carona. Tempos difíceis esses de hoje. Ninguém confia mais em ninguém e por isso não ajudam mas os estranhos, principalmente os estrangeiros.


Não tinha AMIGOS naquela cidade dos diabos e sabia que as coisas seriam mais difíceis sem ela por perto. Mas gostaria de que ela soubesse que ela era uma pessoa muito difícil de tratar em momentos de tensão, embora fosse amável em momentos de ternura. Chamava-a de mulher de gelo porquê ela tinha o costume de ocultar seus sentimentos.

Ela segura todo tipo de onda só para não mostrar as pessoas. Ele não era assim, e queria que soubesse que mesmo que ele estivesse irado com qualquer coisa, ela e tudo o mais que importava a ela, estava em primeiro lugar. Ele pede perdão por tudo o que fez de errado e por não saber agir certo nesses momentos em que ele não consegue entende-la e diz que tudo o que fez foi por amor, um amor burro, ele sabe, mas estava tentando acertar.

Estava sem internet em casa e não pôde ler o email que lhe enviou naquele sábado fatídico, além do que teve medo de ligar para ela e ouvir aquelas voz metalizada dizendo que isso ou aquilo e que ele era isso ou aquilo. Não o fez e teve um dos piores sábados e domingos de sua vida. Não sabe o que fazer e acha melhor se afastar pra não se meter em confusão. Quer acreditar que houve uma imensa confusão e que ela, por estar demasiado alterada emocionalmente, induziu-o ao erro .

Pede-lhe PERDÃO!

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Pequenas coisas

[Ilustração: Cotidiano em Santo Antônio - José Pereira]
Ele sabia como ser diferente.
Como se fazer presente.
Na calçada olhando as estrelas
[E os transeuntes]
Na fila de um cartório eleitoral
De moto pela cidade
Em perfumarias
Açougue...
Ele sabia como ser único
Como ser o diferencial
Sabia como fazê-la rir sem motivo
Se sentir especial
Sabia ser o homem
Mais perfeito [ainda que com defeitos]
Que tivera a sorte de conhecer.

"Obrigada, amor, por estar presente e por ser inserir em pequenas coisas do cotidiano. Obrigada por essa manhã, pela noite de ontem, e por sempre".

Nova versão "Dom 2008 Turbo"

Acaba de ser aperfeiçoado a versão Dom 2007, e já está no cormécio a nova versão Dom 2008 Turbo. Essa, vem com vários adicionais e melhorias na parte mecânica e emcional. Acompanhe as novas características:
- Dom 2008 Turbo, está mais sensível e filosófico. Agora você poderá ouvir mais vezes aquelas palavras bonitas, e aquelas frases que exercitarão seu raciocínio e sua lógica.
-Aliás, lógica e razão é o que será perdido com essa nova versão que esta com a capacidade Turbo. O novo Dom, aguenta horas de utilização e possui três velocidades: Devagar, rápido e muito... Muito rápido.
-Dom 2008 Turbo, é multifuncional: Motorista, segurança, amante, amigo e o que puder imaginar. Ele acompanha você nas tarefas bobas do cotidiano e te segura ao atravessar a rua.
-O novo Dom esta com um pavil mais longo. Técnicos desenvolveram a capacidade dele trabalhar as emoções e agora ele sabe lidar bem melhor com os probleminhas que aparecem no dia a dia. Ele desenvolve muito bem o diálogo, você falando muito, ou não!
- O modelo Dom 2008 Turbo, mantém o seu estilo arrojado.
- Esse novo modelo tem mecanismos que ainda não foram testados, e algumas reações a determinadas ações ainda não foram analisadas, o que possibilita que você mesma faça os testes! [Essa é um detalhe desse novo modelo, surpreendente].
- Ele mantém o senso de humor ["Quem é que manda? Quem é manda?]... E esta completíssimo em vários outros quesitos.
-Até agora só foi lançado no mercado um exemplar e esta sujeito a aceitação do público. Estou fazendo um Teste-Drive ["Êeeeeeehhhh, vida sexual atíva... Êeeeeeeehhhh, com parceiro fixo"], não tenho nada a reclamar, desse novo modelo!