
Ele estava lindo com sua camisa - cuja cor não consegui definir - dobrada até os cotovelos. Adorava quando ele usava as camisas assim pois achava que ele ficava realmente sexe. E estava, de fato. A calça jeans escuro - aquela que ela achava que mais favorecia seu bubum arredondado - e o tênis estilo "sport fino", completavam o visual dele nesse dia. Fora o estilo, havia a maneira de caminhar, andar, falar, respirar... Existir. Tudo parecia chamar a atenção.
Estava inquieto. Não sei se por não ter comido direito, ou se por algum problema, mas as feições pareciam tensas. Não apenas o fato de estar sério que causavam aquela impressão, mas Dulcineia realmente não podia explicar o que era. Estava em aula - ou deveria estar. Espaço dedicado para aqueles que não terminaram de fazer algumas atividades, coisa que ela não precisava pois havia feito em casa. Estava, portanto, livre para observá-lo. Para observá-lo e escrever sobre ele.
Tinha uma maneira interessante de falar gesticulando as mãos. No momento tinha a esquerda no bolso e a direita falava junto com as palavras. Enquanto pensava no que dizer para uma das alunas que fazia uma prova na sala conosco, balançava o corpo levemente por distração ou falta de paciência. Pelas feições a pergunta lhe teria provocado graça. Talvez algo que ele considere óbvil. Ou uma pergunta idiota... Vai saber.
Andava de um lado para o outro não demorando mais que dois minutos em um só lugar. Dulcineia começou a achar graça. Trabalho demais, talvez... Ou inquietação. Deve ter sido uma criança hiperativa, ou a profissão estava exigindo isso dele agora. Seja o que for, não o fazia menos bonito. Estava r-e-a-l-m-e-n-t-e lindo. Pelo menos para Dulcineia.
Não se falavam. Estavam em período de aula... Ela escrevendo, ele aplicando uma prova, orientando alunos e sendo incrívelmente charmoso. Olhava compenetrado e tinha uma das mãos fechada sob a boca... Podia ficar alí só observando por horas sem se importar. É, Dulcineia sem dúvida sofrera um feitiço e estava sob efeito dele. Como alguém podia ficar assim? Ninguém merece, pensou. Já estava em seus devaneios desde que ele entrou na sala. Precisava "voltar" para a aula. Sim, era o que faria.

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