
Quem pode interpretar
O sorriso iluminando o rosto
Numa dúvida de real felicidade
Que esconde a angústia,
Mas não muda o que se sente
Ela pode fingir mil sorrisos
Mas nenhum deles tem o mesmo brilho
E isso não é como um jogo
Apesar de jogo, ser a própria vida.
Ela é peça, e não sabe jogar
Hoje ela tentou rabiscos
Achou que desaprendeu a desenhar
Já não reconhece seus traços
Ou em seus traços não está
Nos olhos um misto de in/certeza
Também tentou escrever
Assim como tentou falar
Talvez o problema sejam as palavras
Que nunca dizem o que ela quer dizer
Algo entre inspiração... Ou tom
Falando em tom, desafinada está
Fora de compasso, do rítimo
Deve ter desaprendido a cantar
Sem rimas nos versos
Sem vida em acordes
Ou vida própria eles tenham
E como algumas palavras voam sem sentido
Dizem o que querem
Com licença poética: “Quando o sol se pôr, meu amor”
Ela vai se deixar ouvir o silêncio
Vamos falar mais baixo
Ou melhor, nem mesmo falar
Aqui dentro onde não se escuta nada
Faz um barulho infernal
Ela já não se lembra do que lia antes
Deixou o livro de lado
Acha que vai de versos fazer retalhos
E ver se sentido fazem
Para algum de nós entender
Mas já juntou vários deles e não entende nada
Ela aponta o lápis
E tenta mais um rabisco
Precisa enxergar-se nele
Com sorriso no rosto
E saudade no olhar
In/compreensão de tudo
Um tudo que ela nem sabe o que é
De versos diferente e aleatório escritos
Ela já não sabe mais o que disse
Ou o que queria dizer
Talvez unir tantos versos não seja boa idéia
Acho que isso está ficando meio sem lógica
Não sei se em desenhos, escritos ou falas
E ela ri – Sem lógica?
Como se o coração tivesse alguma

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