
Dulcineia acabara de comprar algumas roupas em uma loja de bebê, e saía com suas sacolas e barriga de quatro a cinco meses de gravidez. Vestia uma roupa bonita e cabelos presos e desalinhados por conta do vento. Era uma cidade grande com muito barulho e automóveis passando, além dos transeúntes pelas calçadas. Gente demais para se reconhecer fácilmente alguém.
Ajeitou as sacolas nas mãos, e tirou os cabelos do rosto enquanto olhava o sinal e acompanhava as pessoas que iam atravessar a avenida movimentada. Alguém segurou seu braço assustando-a, e fazendo-a voltar para a calçada. Já virou pronta para dizer alguns desaforos quando reconheceu Dom que a olhava sorridente. Sorriu automaticamente e sentiu o coração disparar... Depois de aproximadamente sete anos, aquilo não deveria se normal.
Trocaram um abraço amigo e ele estranhando a barriga e olhando para ela, perguntou como estava. Dulcineia acariciou a superfície arredondada [ainda discreta, pode-se dizer], sorriu e respondeu simplesmente: Grávida! Ele surpreso, apesar de perceber que era o caso, pelas roupas, e aparência, quis saber se iria se casar, e a história daquela gravidez.
Sentaram em um Café perto de onde se encontraram, e iniciaram a conversa, mas antes Dulcineia perguntou pela namorada de Dom. Ela lembrou-se de quando ele ligou e disse que estava apaixonado por uma pessoa e que queria ser verdadeiro com as duas, e por isso queria terminar com ela. Ele tinha ido fazer um curso fora do país, e Dulcineia ficou esperando por sua volta. Iriam ficar juntos depois que ele terminasse, mas ele mudou os planos quando conheceu outro alguém.
Apesar de triste, Dulcineia aceitou o novo amor de Dom, e sua decisão de ficar com ele. Deixou que saísse de sua vida para ser feliz. E que fosse mesmo, pois só assim valeria a pena. Vendo-o alí a sua frente, Dulcineia lembrou-se do que ele a fazia sentir...
Soube dois anos depois da ligação [pois se manteram amigos], que não estava mais com aquela mulher, mas sim com outra que conhecera. Perguntou se ela tinha vindo com ele, mas a resposta foi negativa. Dulcineia sentiu uma ternura nele ao falar da referida mulher, e um brilho nos olhos dele, que no fundo a incomodou. Mas ele parecia feliz, e aquilo deixava ela feliz também.
Contou-lhe então, a pedido dele, sua história. Quatro anos após o fim deles dois, Dulcineia se envolveu com um cara. Tinha crescido em sua profissão, e sua vida tinha ficado voltada para o trabalho. Ele apareceu, e demosntrou gostar dela. Ela se sentia bem com ele, era engraçado e divertido. E achou até que estava realmente apaixonada. Dois anos de namoro, e ficaram noivos... Moravam até juntos, até que Dulcineia engravidou.
O cara se dizia dispreparado para ser pai [como se ela fosse diferente]. Queria que abortasse a criança, e Dulcineia era contra isso. Iria tê-la ainda que ele não quisesse assumir. Pegou suas coisas, e deixou-o com seu egoísmo e irresponsabilidade. Podia criar sua filha [já sabia que era uma menina] sem ele. Já estava estabilizada economicamente, e agora que o conhecia como realmente era, não o queria por perto. Em pensar que iria se casar com ele... Alguém que nem mesmo amava realmente, e mal conhecia...
Dom estava lindo [pensou ela], e parecia o mesmo que conhecera a alguns anos atrás. Engraçado, descontraido, atencioso... Enfim. Se abraçaram mais uma vez, e combinaram de se encontrarem outro dia para conversarem mais. Dulcineia desejou-lhe sorte e se despediu. Ia voltar ao trabalho. Levantou e foi andando. Olhou para atrás e viu Dom ainda sentado, lhe sorrindo.
Dulcineia acordou e foi ver seu amado.















