sexta-feira, 25 de julho de 2008

Os constantes pesadelos

Dulcineia vinha tendo, constantemente, um sonho ruim com cobras, maldade e traições. Cada manhã que acordava após o tal sonho, sentia uma sensação ruim que não conseguia identificar. Conversou com Dom sobre o fato, e ele considerava aquilo um aviso. Particularmente ela também achava.
Ele atribuiu ao sonho, um significado. Achava que alguém proximo a ela trairia sua confiança, ou armaria alguma coisa para prejudicá-la. Talvez fosse assim. Podia ser, mas ela sentia algo que dizia diferente àquilo. Era estranho. O mal é que não conseguia entender o que seus sentidos estavam alertando, e sobre quem a alertavam. Seu anjo da guarda estava dando-lhe sinais, porém, ela não conseguia entendê-los.

No sonho, uma vala de cobras dividia ela de algumas pessoas que a esperavam do outro lado. Uma tábua de madeira era a única passagem existente, porém, era necessário ter coragem para atravessá-la no meio de tantas cobras grandes e assustadoras. Às suas costas, haviam três pessoas vestidas de branco que lhe falavam para atravessar. A luz que emanava delas era forte demais para que as identificasse. Apenas escutava suas vozes, e suas silhuetas [duas mulheres e um homem]. As vozes nunca antes escutara antes.

Não tinha coragem para atravessar, e aquelas pessoas atrás dela, diziam que precisava seguir enfrente apesar do mal que aquelas pessoas haviam lhe causado [Pessoas? Mas são cobras, ela pensava!]. Diziam que se ela fosse enfrente, não poderiam mais lhe fazer mal, e que as pessoas que estavam do outro lado, eram aqueles que realmente lhe queriam bem. Que estavam do lado de Dulcineia.

Dulcineia procurou por Dom, e ao não encontrá-lo perguntou por ele... Disseram-lhe que todos que eu podia ver, eram aqueles que não me fizeram ou fariam mal [estavam meus pais, algumas amigas, primas,madrinha e outras pessoas que Dulcineia ainda não conhecia]. E se alguém que procurasse não estivesse alí, eu já tinha minha resposta. O mesmo em, relação às outras pessoas que ela pensou em perguntar, por não ver do outro lado, e achar que jamais lhe fariam mal.

Enfim, Dulcineia não atravessa e assim acontece em todos os pesadelos que tem tido. Alguma pessoa nova ela vê do outro lado... Alguma coisa nova ela se lembra, mas basicamente era aquele sonho todos os dias. O que significava? Ela realmente não sabia... Poderia ser o que Dom lhe dissera. Mas era algo mais... Algo que ela não sabia ainda, mas já sentia. E estava lhe fazendo mal.

Dom dissera que ela era cética, apesar de ter o privilégio de ser avisada. Mas ela acredita no aviso. Só ainda não se convenceu do que ele significa, e por não saber, achava que não deveria ficar se martirizando. Saberia o que fazer quando chegasse a hora. E já estava avisada... Talvez nem se surpreenda mais se alguém por quem tenha apreço, lhe faça algo inesperado. Se alguém tentar prejudicá-la em algo. No fim tudo sá certo... [ela espera que sim, pelo menos].

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