Um aperto e um calor impressionante resumiriam o início da aventura no último domingo. Um carro popular levava sete pessoas para um dia de boas ações. Semana do serrado e a proposta era limpar as margens do Rio Grande que corta a cidade e que está em condições deprimentes. Uma pequena ação diante de tanta poluição, mas já era um início.
Depois de lutar para caber no carro, e chegar ao local de onde partiríamos com o mutirão de limpeza, era hora de enfrentar o medo. Vestindo a camisa do projeto, teríamos que subir nas pequenas embarcações – barquinhos velhos que mais lembravam "canoas" – e descer o rio para começar com a limpeza.
Apenas três das "canoas" estavam disponíveis para levar cerca de 100 pessoas rio abaixo e acima. Duas comportavam entre cinco e seis "navegantes" e um pequeno de madeira velha e desgastada podia levar três. Esse de madeira lembrava um barquinho indígena feito para a pesca. Entrava água e nele eu não me arriscaria. Fiz questão de deixar isso claro. Resultado: Ficamos de aproximadamente oito e meia as dez horas da manhã esperando nossa vez de pegar uma das embarcações.
De dentro do barquinho o rio lembrava o Amazonas, disse Dom. Aliás, sua imaginação sempre o transportava a algum lugar além do que onde estava. Com máquinas postas e vontade de fotografar, chegamos ao destino – que não era bem para o qual desejávamos ir. Com luvas e sacos plásticos retiramos o que pudemos – ato mais simbólico do que eficiente – e fotografamos o local.
O sol já lembrava um dos desertos africanos. Os sacos plásticos terminaram, e sem mais o que fazer sentamo-nos na pouca sombra existente e esperamos – impacientemente, diga-se de passagem – a embarcação vir buscar-nos. Espera em vão. Depois de quase uma hora ainda não se tinha sequer sinal do nosso "salvador". E a imaginação de Dom, agora transportava-nos a uma ilha onde perdidos sofríamos com sede, fome, sujeira e excitação. Sim, excitação. Dom se dizia excitado!
Finalmente um carro veio nos buscar e mais uma vez em aperto e calor, voltamos para o local onde seria servida uma feijoada que já estava nos sonhos dos pobres abandonados. O almoço foi servido e a surpresa foi geral: Nada de feijoada! Aquilo mais parecia comida de presídio. Farofa, feijão [água de feijão], ensopado com a carne a vermelha mais branca que já vi e um arroz que grudava na colher que nos servia.
Comeram todos que já não suportavam a fome. E para engolir a comida um delicioso suco de água com "essência distante de um pedaço da casca do abacaxi", como disse Dom. Sucesso total entre os críticos gastronômicos presentes – a essa hora todos tinham gabarito para falar da comida. Dizem que qualquer comida é boa quando se tem fome, mas nem a fome foi capaz de enganar o sabor desta.
No fim, em mais uma luta de aperto e calor - oito pessoas no carro dessa vez - , seguimos para tomar o famigerado "Picolé de Barreirinhas". O sabor faz jus a fama de melhor. Algo bom para agradar o paladar. E estava findado a aventura, mas não para "nós dois". Deixaram-nos enfrente ao apartamento dele e entramos. Eu tinha que ir para a casa, mas a vontade de ficar um pouco a sós com ele, era maior que a necessidade de ir.
No fim, em mais uma luta de aperto e calor - oito pessoas no carro dessa vez - , seguimos para tomar o famigerado "Picolé de Barreirinhas". O sabor faz jus a fama de melhor. Algo bom para agradar o paladar. E estava findado a aventura, mas não para "nós dois". Deixaram-nos enfrente ao apartamento dele e entramos. Eu tinha que ir para a casa, mas a vontade de ficar um pouco a sós com ele, era maior que a necessidade de ir.
Uma hora não faria tanta diferença e ao mesmo tempo uma diferença enorme. Tomamos banho para tirar do corpo o suor e a poeira do dia. Com a pele fresca e cheirosa, deitamos no colção colocado no chão da sala, e ficamos juntos assistindo MTV. A proximidade mecheu com os sentidos e o carinho foi deixando o tom inocente.
Estava escurecendo e eu precisava ir. Estava fora desde as sete e meia da manhã. Ele me acompanhou até em casa, e esgotada dormi no sofá enquanto assistia TV. Movimentado mas agradável foi o dia. Sempre era, desde que na presença dele.

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