
O longo corredor com muitas portas dava acesso ao “castelo” de Dom Quijote. Era por ele que Dulcineia havia passado incontáveis vezes, como neste domingo, para chegar até ele. O apartamento ao lado – pelo qual passava antes de chegar ao de Dom – como de costume, tinha as portas abertas.
Ontem, após a tormenta da noite anterior o interior estava silencioso. A TV numa altura quase inaudível estava ligada para as paredes já que a sala estava vazia. Quase cinco da tarde e talvez ela estivesse só em casa. Não havia vozes, apenas o som do chuveiro ligado. Como sempre fazia, Dulcineia passou rapidamente olhando discretamente para dentro do apartamento e seguiu ao encontro de seu cavaleiro dos moinhos de vento.
Na noite de sábado Dom ficara tentado a interferir na briga que pôde ouvir de seu recinto. Pela altura dos gritos, era praticamente como estar participando da discussão. Tinha um tom violento e aquilo estava incomodando nosso herói, porém os tempos eram outros. Não podia simplesmente invadir o lugar e lutar contra o vilão que maltratava uma donzela indefesa.
Pelo que ouvira – o grito que ela deu e o barulho que o antecipou – ele a tinha batido. “Não quero ouvir tua voz até amanhã”, Dom pôde escutá-lo dizer a ela. Seguiu-se um profundo silêncio. Findada a briga a ausência de som denotava não o entendimento e sim o medo. Medo da parte dela. Talvez de apanhar mais uma vez... Dom procurou por Dulcineia e contou o ocorrido. Estava imensamente incomodado e entristecido.
Era normal participar sem querer do cotidiano daquele casal. A porta sempre aberta o revelava com a barriga arredondada e pela branca – avermelhada com o calor – assistindo TV deitado no sofá e ela cozinhando, arrumando e servindo-o. Algo realmente ridículo de se ver. Uma posição machista e patriarcal do homem. O chefe inútil da família que “põe o dinheiro dentro de casa” e que quando esta nela não pode mover um dedo sequer, sendo servido pela esposa obediente.
Do apartamento de Dom, ouvem-se as brigas, as conversas mais altas, o sexo... Aproximadamente as 12 hrs da manhã com duração de 10 a 15 minutos. Era assim que acontecia o sexo entre eles. A caba batendo contra a parede e fazendo um barulho enorme, denota a forma um tanto brusca de transar deles dois. Às vezes o período curto de sexo é findo com um gritinho abafado dela. Talvez gozo... Talvez dor. Vai saber!
Ela, algumas vezes, passeia pela sala e cozinha com roupa de dormir ou peças intinas. Ele mais preocupado com o jogo ou qualquer outro programa que passa na TV a cabo parece não se importar com a porta aberta. Sábado, porém, por qualquer que tenha sido o motivo, ele reagiu e mostrou o quão estúpido era. Dom e Dulcineia sentiam nojo. Nojo da situação, nojo dele.
Na manhã seguinte – domingo – não houve gritos de briga, contou Dom. Ouviu apenas dois gritos dela provocados, quem sabe, por alguma judiação dele. Dom ficou tentado a oferecer ajuda ao passar enfrente ao apartamento visinho e vê-la com as maças do rosto inchadas e olhar envergonhado. Para não envergonha-la ainda mais, e sem coragem, Dom seguiu e decidiu que tomaria alguma atitude caso aquilo voltasse a acontecer. Chamar o síndico, talvez. Qualquer um que pudesse ajudá-lo a interferir naquela estupidez daquele homem que nem assim pode ser chamado ao bater numa mulher.
Infelizmente ela não é a única, pensou Dulcineia. E assim como ela, muitas outras apanham caladas sem coragem para denunciar esses monstros infelizes que merecem apodrecer na cadeia.
Ontem, após a tormenta da noite anterior o interior estava silencioso. A TV numa altura quase inaudível estava ligada para as paredes já que a sala estava vazia. Quase cinco da tarde e talvez ela estivesse só em casa. Não havia vozes, apenas o som do chuveiro ligado. Como sempre fazia, Dulcineia passou rapidamente olhando discretamente para dentro do apartamento e seguiu ao encontro de seu cavaleiro dos moinhos de vento.
Na noite de sábado Dom ficara tentado a interferir na briga que pôde ouvir de seu recinto. Pela altura dos gritos, era praticamente como estar participando da discussão. Tinha um tom violento e aquilo estava incomodando nosso herói, porém os tempos eram outros. Não podia simplesmente invadir o lugar e lutar contra o vilão que maltratava uma donzela indefesa.
Pelo que ouvira – o grito que ela deu e o barulho que o antecipou – ele a tinha batido. “Não quero ouvir tua voz até amanhã”, Dom pôde escutá-lo dizer a ela. Seguiu-se um profundo silêncio. Findada a briga a ausência de som denotava não o entendimento e sim o medo. Medo da parte dela. Talvez de apanhar mais uma vez... Dom procurou por Dulcineia e contou o ocorrido. Estava imensamente incomodado e entristecido.
Era normal participar sem querer do cotidiano daquele casal. A porta sempre aberta o revelava com a barriga arredondada e pela branca – avermelhada com o calor – assistindo TV deitado no sofá e ela cozinhando, arrumando e servindo-o. Algo realmente ridículo de se ver. Uma posição machista e patriarcal do homem. O chefe inútil da família que “põe o dinheiro dentro de casa” e que quando esta nela não pode mover um dedo sequer, sendo servido pela esposa obediente.
Do apartamento de Dom, ouvem-se as brigas, as conversas mais altas, o sexo... Aproximadamente as 12 hrs da manhã com duração de 10 a 15 minutos. Era assim que acontecia o sexo entre eles. A caba batendo contra a parede e fazendo um barulho enorme, denota a forma um tanto brusca de transar deles dois. Às vezes o período curto de sexo é findo com um gritinho abafado dela. Talvez gozo... Talvez dor. Vai saber!
Ela, algumas vezes, passeia pela sala e cozinha com roupa de dormir ou peças intinas. Ele mais preocupado com o jogo ou qualquer outro programa que passa na TV a cabo parece não se importar com a porta aberta. Sábado, porém, por qualquer que tenha sido o motivo, ele reagiu e mostrou o quão estúpido era. Dom e Dulcineia sentiam nojo. Nojo da situação, nojo dele.
Na manhã seguinte – domingo – não houve gritos de briga, contou Dom. Ouviu apenas dois gritos dela provocados, quem sabe, por alguma judiação dele. Dom ficou tentado a oferecer ajuda ao passar enfrente ao apartamento visinho e vê-la com as maças do rosto inchadas e olhar envergonhado. Para não envergonha-la ainda mais, e sem coragem, Dom seguiu e decidiu que tomaria alguma atitude caso aquilo voltasse a acontecer. Chamar o síndico, talvez. Qualquer um que pudesse ajudá-lo a interferir naquela estupidez daquele homem que nem assim pode ser chamado ao bater numa mulher.
Infelizmente ela não é a única, pensou Dulcineia. E assim como ela, muitas outras apanham caladas sem coragem para denunciar esses monstros infelizes que merecem apodrecer na cadeia.

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