segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Ela e seu profundo tédio

[ Ilustração: Eugene Delacróix]
Mais um daqueles dias de férias que ela não sentia a mínima vontade de sair da cama. Chovia, e ela tinha sono por não conseguir dormir a noite. Ficara rolando na cama por um longo tempo, até que finalmente caiu no sono [nem de lembra quando]. Ela sabia que perderia o sono se dormisse na tarde de ontem, mas realmente queria se desligar de tudo. Sua família, seus amigos, suas saudades... Queria se desligar de tudo isso, e ter bons sonhos, livres de qualquer um desses elementos, que lhe fizessem sentir um vazio ao acordar.
Era assim quando sonhava com ele [por exemplo]. Adorava seus sonhos, com certeza, já que era tudo o que a distância, ou seu pai, a impediam de fazer. Mas lá, em seus sonhos, não haviam barreiras para nada! Só que quando aocrdava, se via em sua realidade, e aquilo lhe dava um desânimo imenso. Uma saudade incontrolável, como se sua mente soubesse ter sido um sonho, mas seu corpo não. E o corpo acordava ainda buscando o outro que tinha tido nos sonhos.
Queria apagar tudo isso, para assim acordar apenas com boas sensações. Mas não pôde, pois estava preocupada com ele. Logo que acordara acessou a internet para ver se por lá haviam notícias dele. Mandou-lhe uma mensagem, que ele não respodeu, e ela achou estranho. Não no mesmo momento, pois sabia que ele poderia não estar com o celular, mas as seis da noite, ela já estava preocupada sem notícias dele [Será que aconteceu alguma coisa? Será que ele está bem?...].
Mas ele estava bem sim. Isso a aliviou. Disse a ela que não a tinha respondido a mensagem, por não tê-la recebido. Pensou até que ela estivesse chateada [Ela chateada? Que motivo teria?]. Bom, o dia não está um dos mais interessantes, e a única vontade que ela, ainda, tem, é voltar para cama. Dessa vez não pelo sono, pois, este já se foi, mas pela vontade de se esconder de todo o tédio que a ronda, daquela cidade que ela não via a hora de deixar...

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