Ela lembra-se de certa vez que ele lhe contara uma historinha de uma raposa. Naquela época, ele achava-a um tanto "Chucra" [risos]. E realmente deveria ser. Então, dizia ele que um dia, a domaria, e contou-lhe a historia contida no livro de Antoine De Saint-Exupéry, "O Pequeno Príncipe". Dizia que pouco a pouco, sem pressa, cativaria-a. E o fêz.
"[...]-Que quer dizer "cativar"?
-É algo quase sempre esquecido - disse a raposa. - Significa "criar laços"...
-Criar laços?
-Exatamente - disse a rapoza. - Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu também não tens necesidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...
[...]-O que é preciso fazer? -perguntou o pequeno príncipe.
-É preciso ser paciente - respondeu a raposa. -Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim, assim na relva. Eu te olharei com o canto do olho e tu não dirás nada. A linguagem é uma fonte de mal entendidos. Mas, cada dia, te sentarás um pouco mais perto...
No dia seguinte o príncipe voltou.
-Teria sido melhor se voltasses à mesma hora - disse a raposa. - Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz! Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar meu coração... É preciso que haja um ritual.
-Que é um "ritual"? - perguntou o principezinho.
-É uma coisa muito esquecida também - disse a raposa. - É o que faz com que o dia seja diferente dos outros dias; uma hora das outras horas. Os meus caçadores, por exemplo adotam um ritual. Dançam na quinta-feira com as moças da aldeia. A quinta é então um dia maravilhoso! Vou passear até à vinha. Se os caçadores dançassem em qualquer dia, os dias seriam todos iguais, e eu nunca teria férias!
[...]-Os homens esqueceram essa verdade - disse ainda a raposa. - Mas tu não a deves esquecer. Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."


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