
Ele estava longe. Viajara para passar seu Natal e Ano Novo com a família. Pensara em passar o Natal na cidade dela, mas ela pediu que não o fizesse. Não poderia sair, nem vê-lo. Ambos sabiam das suas dificuldades. Ela não passava de uma menina. Ele um homem que tinha o dobro de sua atual idade. Sim, ela com apenas dezessete, ele com vinte e quatro. Ela uma menina com um pai incrívelmente antiquadro e rígido, ele um homem livre e independente.
Ele estava longe de casa e sozinho. Tinha um filho, e era professor da faculdade, onde por ironia, ela estudava. Sim, conheceram-se lá. E aquela química foi surgindo, e pouco a pouco o sentimento entre eles. Tudo o que poderia atrapalhar. Mas parecia que esses obstáculos não eram nada, pois deixaram a razão de lado, e foram se deixando levar, até se verem completamente tomados pela paixão e o carinho que tinham um pelo outro.
Ele ligou para ela as cinco da manhã, para desejar-lhe um feliz Ano Novo, e a deixou pensando neles. Conseguiu voltar a dormir, mas quando acordou as lembranças vieram outra vez provocar-lhes as reações que não queria sentir. E desejou tê-lo por perto. Sentir seu calor, seu gosto, seu cheiro. Se deixar nos braços quentes dele, e se deixar levar como já fizera muitas vezes. Sentir o beijo que começava suave e doce, e depois ficava tão feroz e ardente que a fazia perder o fôlego. Sentia muita vontade dele. E foi a primeira coisa que fez, no primeiro dia do ano. Lembrar e desejar...

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