domingo, 31 de agosto de 2008

A mulher de gêlo


De gêlo? Nem tanto, ao que parece.
Ela estava com ciúmes sim, e não adiantava mentir. Aliás, já não se importava mesmo que soubesse. A ironia da vida a pôs em contato com algo relacionado a ex-namorada [ex's, quem gosta delas?] de Dom. A reação dele foi, para ela, um tanto diferente... Ou inexperada. Será que se incomodava ainda, em saber do novo relacionamento dela? Disse que não. Explicou o que o incomodava, e não gostou que ela o perguntasse. Ciúmes - esbravejou Dulcineia falando dela mesma[não estava gritando ou brigando]. Mas como não costumava fazer, assumia que a reação que ele teve despertou um pouco de ciúmes nela... Afinal, relacionamentos sempre deixam algo [seja bom ou ruim]. Algo alí o incomodava fosse por ciúmes dela ou não. Se disse que não era, ótimo [e ótimo mesmo], mas não ia negar que algo na reação que teve a incomodou. Bobagem? Sim, pode ser, mas gostar tem dessas coisas e nem seu súperpoder a salvava desse mal dos apaixonados.

Amor sem gosto de latex


[Ilustração: Gustav Klimt]
Ele passa a mão pelos cabelos
Abre a porta, olha em volta
e ela ri.
Entra estabanada
Sem palavras o beijo.
Cara de sono
É como parece sempre
Não dormiu bem, amor?
Tão cinza e quente a cidade
Pela janela da cozinha
O domingo quieto.
Vou tomar um banho
Porque você nunca me deixa ir?
Abraçados no colchão da sala
Uma história, um filme
Ela brinca
Só para ver sua reação
E saber que se importava.
Zangado
Era assim que ficava
Sabe que eu te amo né, amor?
Adorava a cara que fazia
E o sorriso sarcástico
Pintado no rosto
Sem graça, ou motivo
"Levemente" irritado.
"Você vê o quanto é importante para mim?
Tenho ciúmes até do vendo"
Os corpos tão próximos
Reagem por sí só
E se buscam...
Uníssono
Eles falam entre sí
E sós se entendem.
O amor sem gosto de latex
Pela primeira era ele de verdade
Invadindo-a...
E ela o deixou entrar
Novo e impressionante
O mesmo que sentira na boca
Dentro de si
E sentia o calor, a pulsação
Uma sensação maior
Assim como o prazer.
Orgasmos
Duplos ou triplos
Quem vai ficar contando?
Deitados num abraço
Um como extenção do outro
A virilidade coberta pelo esperma
O sorriso relaxado dele
O suspiro satisfeito dela.
[Numa deliciosa tarde de domingo]

O que toca?

Um beijo.
Um elogio.
Um sorriso.
Uma música.
Um momento eterno.

Uma paixão de cinema.
Uma história, uma trilha.

Nenhum roteiro.

Dom Quijote

sábado, 30 de agosto de 2008

Quando você voltar


[Ilustração: Veermer]
[Composição: Renato Russo]


Vai, se você precisa ir

Não quero mais brigar esta noite

Nossas acusações infantis

E palavras mordazes que machucam tanto

Não vão levar a nada, como sempre

Vai, clareia um pouco a cabeça

Já que você não quer conversar.

Já brigamos tanto

Mas não vale a pena

Vou ficar aqui, com um bom livro ou com a TV

Sei que existe alguma coisa incomodando você

Meu amor, cuidado na estrada

E quando você voltar

Tranque o portão

Feche as janelas

Apague a luz

e saiba que te amo...

Keep Holding On


[Composição: Avril Lavigne]

Você não está sozinho
Juntos nós aguentaremos
Estarei ao seu lado
Você sabe que segurarei sua mão
Quando fizer frio
E parecer ser o fim
Não há para onde ir
Você sabe que não cederei
Não,eu não cederei
Continue aguentando firme
Porque você sabe que conseguiremos,
Nós conseguiremos
Apenas seja forte
Pois você sabe que estou aqui por você,
Estou aqui por você
Não há nada que possa dizer
Nada que possa fazer
Não há outro jeito quando se trata da verdade
Então continue aguentando firme
Porque você sabe que conseguiremos,
Nós conseguiremos
Tão longe
Eu gostaria que estivesse aqui
Antes que seja tarde demais
Isso tudo poderá desaparecer
Antes que as portas se fechem
E chegue ao fim
Mas com você ao meu lado
Eu lutarei e defenderei
Eu lutarei e defenderei
Continue aguentando
Porque você sabe que conseguiremos,
Nós conseguiremos
Apenas seja forte
Pois você sabe que estou aqui por você,
Estou aqui por você
Não há nada que possa dizer
Nada que possa fazer
Não há outro jeito quando se trata da verdade
Então continue aguentando firme
Porque você sabe que conseguiremos,
Nós conseguiemos
Escute-me quando digo,
Quando digo que acredito
Nada irá mudar
Nada irá mudar,
O destino
O que quer que seja
Nós resolveremos perfeitamente
Continue aguentando firme
Porque você sabe que conseguiremos,
Nós conseguiremos
Apenas seja forte
Porque você sabe que estou aqui por você,
Estou aqui por você
Não há nada que possa dizer (nada que possa dizer)
Nada que possa fazer (fazer)
Não há outro jeito quando se trata da verdade
Então continue aguentando firme
Porque você sabe que conseguiremos,
Nós conseguiremos
Não há nada que possa dizer (nada que possa dizer)
Nada que possa fazer (nada que possa fazer)
Não há outro jeito quando se trata da verdade
Então continue aguentando firme (continue aguentando firme)
Porque você sabe que conseguiremos,
Nós conseguiremos

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Cochilo

Deitou-se no sofá para ler o texto que precisava resumir. Dormiu de cansaço sem perceber e quando acordou tinha o rosto marcado com listras da almofada. Olhou a hora, tinha dormido quase trinta minutos e estava com muito sono ainda. Se forçou a voltar ao trabalho. Uma noite perdida não ia fazer diferença em sua vida... Depois, quando chegasse a noite dormiria finalmente - Se Deus permitir.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

O bebê dos olhos de céu



Olhos grandes e de azul intenso a observavam assustados enquanto o choro ecoava pela vizinhança. Encoberta por uma manta velha e gasta, a criança repousava na caixa de papelão depositada perto do lixo que havia colocado na calçada, pela manhã. Olhou em volta procurando algum sinal do in/responsável por aquele anjo deixado enfrente a seu portão. Pegou-a com cuidado da caixa nos braços, e o choro cessou-se de imediato. Naquele momento não saberia dizer qual das duas se encontrava mais assustada.

Levou-a para dentro de casa e trocou a manta por uma coberta mais quente e macia. O dia estava frio. Não havia marcas na menina – agora já sabia qual o sexo do bebê – nem vestígio algum de maltrato. Abandonaram-na a sua porta e esse fato já fazia com que ela imaginasse que eram as piores pessoas do mundo. Esperava que a tivessem maltratado ou que estivesse suja e doente, mas parecia bem. E era a criança mais linda que Dulcineia já vira, precisava admitir.

Ligou para Dom e contou-lhe o ocorrido. Esperaria que ele chegasse para que a ajudasse a decidir o que fazer com ela. O choro recomeçou e a inexperiência fez com que Dulcineia se desesperasse. Estava com um bebê de, provavelmente, quatro ou cinco meses de idade e não sabia o que fazer. Ligou para a mãe e pediu auxílio. A resposta foi esperada por ela: Ou era fome, ou precisava ser trocada ou sentia algum tipo de dor.

Colocou-a nos braços, e como se fosse filha dela mesma, foi a um super-mercado para comprar algumas coisas básicas. Deparou-se com uma variedade de tipos, tamanhos e marcas para leites, mamadeiras e fraldas. Com ajuda de uma vendedora escolheu o que precisava e voltou para casa. Ter tido uma irmã mais nova, facilitou a preparação da mamadeira e colocação da fralda descartável na menina.

Foi sentada no sofá da sala de estar, dando a mamadeira para o anjo de cabelos dourados e olhos de céu, que Dom encontrou Dulcineia. Ela lhe sorriu como se aquilo fosse algo corriqueiro e percebeu a preocupação e inquietação de dele com a situação.
-Você já avisou que essa criança foi deixada aqui? Perguntou ele.
-Liguei para você e para minha mãe, que deve estar chegando, e comprei fraldas, leite e a mamadeira para esse anjinho...
-Você já ligou para a polícia, meu bem? Insistiu ele.
Dulcineia fingiu não ouvir a pergunta e olhou para a criança que havia terminado de beber o leite. Estava faminta, constatou ela. Encheu-se de ternura ao ver o sorriso estampado no rosto da menina e chamou Dom para ver.

Foi quando a mãe de Dulcineia entrou e perguntou se a criança ainda estava lá. Dom começou a conversar com ela, mas Dulcineia distraia-se com o bebê. Estava apaixonada. Apegara-se a ela em pouquíssimo tempo, e Dom não estava gostando daquilo. Disse que precisavam deixá-la na delegacia para que eles a encaminhassem para o juizado. Além disso, alguém cometeu um crime de abandono e não sabiam nada sobre aquela menina. Aquilo poderia tornar-se um problema para eles.

Dulcineia por sua vez, deslumbrada pela inocência e beleza da criança, queria protegê-la dos que a abandonaram, e da frieza dos que pertenciam ao juizado de menores. Sem contar que uma delegacia não era ambiente para um bebê. Quis que ela ficasse ao menos por uma noite. Olhava para indefesa criança e percebia que podia amá-la. Quem diria, ela que não queria um bebê? Sim, as mulheres nasceram para ser mãe, mas como disse Dom, se era assim que fizessem um filho deles dois então. Mas com a menina, não podiam ficar.

Contra a vontade de Dulcineia seguiram para a delegacia, e lá fizeram a queixa e o relato de como encontraram a criança. Dulcineia, como se fosse ela própria a mãe daquele ser, não quis deixá-la até que o juizado chegasse para levá-la. E por mais inacreditável que fosse para ela, era como se tirassem alguém muito importante de sua vida. Dom abraçou-a e explicou que aquilo era necessário. E Dulcineia sabia do absurdo que era querer ficar com a menininha encantadora, mas não conseguia evitar a ternura que ela lhe fazia sentir.

Mãe... O que é ser mãe? Será necessário gerar realmente? Poderia amá-la mesmo que não tenha saído de dentro de si, e ela sabia disso. E Dom, achava que se fosse para ter alguma criança, que fossem deles próprios. Com os traços de ambos, com os genes de cada um. E assim pensava ainda, quando Dulcineia lhe falou do sonho e da menina que nele encontrara. Melhor não falar mais disso, preferiu Dom. Essas coisas atraem...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O que o tempo não tira


Ela girava a aliança dourada e grossa no anular esquerdo, enquanto falava. Tinha uma voz baixa e macia quase inaudível da distância de onde os observava. Trazia no rosto marcas de sorriso deixadas pela idade. Ainda assim, aparentava bem menos que os quarenta anos que realmente tinha. Os olhos castanhos e serenos olhavam com ternura para o companheiro ao lado. Deveriam estar juntos a mais de vinte anos e aquele olhar continuava o mesmo.

Ele, por sua vez, tinha uma voz altiva. De onde eu estava ouvia perfeitamente falar de sua saúde e dos problemas que lhe dera nos últimos meses. A protuberância debaixo da camisa azul escuro que usava, deixava claro que tinha se recuperado bem desde sua saída do hospital a um mês atrás. Vez por outra, tocava as mãos da esposa ou sorria amavelmente quando falava do tempo em que ficaram separados.

Sua aparência revelava a diferença de idade entre eles, ou o resultado dos problemas de saúde. O rosto repleto de rugas e cabelos grisalhos fazia-no aparentar uns sessenta anos. Era mais baixo que ela e tinha a mesma simpatia no sorriso. Gesticulação constante e a voz forte demonstravam uma menor inibição do que ela. Talvez isso fizesse deles um “casal perfeito”.

Despediram-se da minha mãe – conversavam com ela – que passou rapidamente por mim [estava atrasada, como sempre]. Fiquei ainda observando o casal que me chamou a atenção. Não por suas aparências ou histórias de vida. O que realmente prendeu minha atenção a eles foi o carinho com que se tratavam. Aliás, desde a última vez que os vi, acho que a uns três anos atrás, havia atentado àquilo.

Existem aqueles que não acreditam no carinho e romantismo após muitos anos de casamento. Na verdade, não me excluo dos que compartilham essa opinião. Mas para contrariam meu ceticismo, existem casais como eles dois que se amam igualmente ou ainda mais com o passar dos anos.

Outro valor que imaginei praticamente inexistente é o cavalheirismo. Dificilmente vejo isso em casais de jovens namorados, quanto mais em companheiros de longa data. Talvez a referência que tenha em casa [meus pais] me fizeram pensar dessa maneira. Mas aquele casal... Ah, eles são como gostaria de ser um dia.

Antes de ir ela ajeitou a gola da camisa do marido. Sorri ao perceber a semelhança comigo mesma, ao fazer aquilo. Ele a tomou pela mão, e a levou em direção ao carro. Abriu a porta e esperou que ela se acomodasse antes de fechá-la. Rodeou o Astra preto e deu a partida no carro. Fiquei surpresa com o ato de atenção e cavalheirismo. Tantos anos juntos e agiam como se ainda fossem namorados...

terça-feira, 26 de agosto de 2008

A Dom


Eu te amo de madrugada


Aproximadamente três da manhã e o telefone celular tocava. Ele havia dito que ligaria, mas ela achou que estivesse brincando. Já fazia um bom tempo que deixara de ligar para ela no meio da madrugada.

Lembrava das vezes em que foi acordada por aquela voz macia e baixa dizendo que não conseguia dormir e que pensava nela. Ou quando ficava nadando até que a exaustão o vencesse antes dormir [apenas por gostar de nadar, afirma ele], e ligava para ela com a respiração ofegante para desejar [mais uma vez] boa noite, e perguntar se estava bem.

Dessa vez, porém, os motivos eram outros. Queria dizer que a amava. Tão somente amava-a pela madrugada e gostaria que ela soubesse. Demorou um pouco até que se desse conta de que o celular realmente tocava, e o atendeu sonolenta. Já sabia que era ele pois aquela musica só tocava quando ele ligava ["Garotos como eu sempre tão espertos, perto de uma mulher... São só garotos"]. A voz que ouviu não deixava dúvidas.

Tinha um tom divertido. Acordá-la para dizer que a amava como ela fez com ele não a incomodava de maneira alguma. Aliás, ela sempre gostou do timbre dele durante a madrugada. No último domingo ela tinha ligado as seis da manhã para dizer, e somente para isso, que o amava. Amava-o de madrugada como ele naquela terça.

Passava um especial sobre Vinícios de Moraes na tevê, ele lhe contara. Estava assistindo-o. Além da simples jura de amor, Dom lera alguns versos como fizera segunda a tarde. Ela fez um esforço para recordar-se o nome do autor dos versos, mas é impossível. Não recorda, mas lembra-se de que eram lindos e falavam sobre amar sem medo e conta-gotas [não necessariamente nessas palavras]. Voltou a dormir sorrindo até o momento de ir vê-lo.

Se era uma provocação acordá-la pela madrugada, saia com efeito contrário. Ela ficava feliz em saber que ele a amava [principalmente quando dito em momentos inesperados]. Aliás, amava-o a qualquer hora do dia e da noite... Em qualquer endereço ou lugar do mundo. Amava-o e gostaria que soubesse disso, assim como gostava de saber que ele sentia o mesmo [ainda que seja dito, em um determinado momento da madrugada quando lhes brindam os sonhos onde, nos dela pelo menos, ele sempre estava].

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Descontrole


"Pela segunda vez, desde que a gente esta junto, você me fez perder o controle", diz Dom.

Ela rí e se pergunta quem fez quem perder o controle. Recorda a maneira como ele a pegou e como assemelhava-se a uma bonequinha de pano, tamanho o descontrole sob seu próprio corpo. As ordens que seu cérebro enviava, eram ignoradas por seus ossos e músculos. E jogada no colchão sem forças e reações, ela via o rosto dele divertido e sorrindo com sua situação.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

"O verdadeiro nome do amor é cativeiro."



Willian Shakespeare


Sem menor dúvida, Shakespeare era um exímio conhecedor do amor. E não poderia dar melhor definição a ele. "Cativeiro"! Sim, o amor é um cativeiro. Aprisiona, dá asas para voar, acorrenta os pés ao mesmo tempo. Como diz Dom, faz estar-se preso por vontade. Poder ir, mas querer ficar. É essa vontade, a corrente que o amor utiliza. A dependência do outro. E tal corrente é a mais poderosa que possa existir nessa vida.

"Nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o que, com frequência, poderíamos ganhar, por simples medo de arriscar".

Willian Shakespeare

Atrasada

Dulcineia balançou a cabeça e sorriu. Dom era um sem graça mesmo. Grávida, ela? Nem brincando. Só ele para fazer essas brincadeiras mesmo. Dulcineia estava com a menstruação atrasada [ela quase nunca atrasava]. O motivo ela não sabia, mas gravidez estava fora de questão. E Dom sabia muito bem disso. Nunca tinham feito amor sem a camisinha pois ela não estava tomando medicamento nenhúm. Grávida só se fosse psicológicamente. Mas como ela não queria de maneira nenhuma ter filhos [até porque era uma menina], gravidez psicológica também estava fora de questão. Seja o que for, grávida não estava. Dom e suas bobagens... Aiai. Queria ver como ele se sairia numa situação dessas com o pai que Dulcineia tinha... Ah, pobre Dom. Melhor nem pensar [risos].

Onde eu queria estar...


...Em qualquer lugar, desde que com ele.

domingo, 17 de agosto de 2008

Dois Rios

Composição: Samuel Rosa - Lô Borges - Nando Reis

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

O sol é o pé e a mão
O sol é a mãe e o pai
Dissolve a escuridão

O sol se põe se vai
E após se pôr
O sol renasce no Japão

Eu vi também
Só pra poder entender
Na voz a vida ouvi dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, meu corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios Sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

O céu está no chão
O céu não cai do alto
É o claro, é a escuridão

O céu que toca o chão
E o céu que vai no alto
Dois lados deram as mãos

Como eu fiz também
Só pra poder conhecer
O que a voz da vida vem dizer

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

E o meu lugar é esse
Ao lado seu, no corpo inteiro
Dou o meu lugar pois o seu lugar
É o meu amor primeiro
O dia e a noite as quatro estações

Que os braços sentem
E os olhos vêem
Que os lábios sejam
Dois rios inteiros
Sem direção

Que os braços sentem
E os olhos vêem
E os lábios beijam
Dois rios inteiros
Sem direção

Eu nunca estive tão apaixonada



[Fábio Jr]

O que eu puder, eu vou fazer pra não te machucar
Mas a verdade eu vou dizer melhor acreditar
Eu já morri, já renasci no amor
Mas nunca fui pra alguém o que hoje eu sou

E se mudar, é claro eu vou mudar, faz parte do caminho
Mas cada fruto que eu colher, trarei pro nosso ninho
Não sou tão bom, nem tão ruim, não sou
Mas nunca fui pra alguém o que hoje eu sou

Transparente, desajeitado, de todo jeito me ajeitando do teu lado
Pra me esconder, ou me espalhar, com todo cuidado
Eu nunca estive tão apaixonado...

Se Quiser



[compositor indisponível]

Se quiser fazer amor eu faço se quiser trocar de roupa, trocamos
Se quiser preencho teus espaços, se quiser fazer eu faço planos
Se disser que sou teu homem, aceito, se quiser fugir do mapa, dou um jeito
Vão dizer que o nosso amor é um arraso, se quiser casar comigo eucaso
Se quiser, grito pro mundo inteiro, estou apaixonado por você
Que se dane o mundo eu quero o cheiro do teu corpo pra sobreviver

sábado, 16 de agosto de 2008

E o coração entende?


Gostaria de dizer que eu não o amo.

Sim, é isso mesmo!

Eu não o amo,

Não penso nele em momento algum do meu dia.

Não sinto nada quando ele esta por perto.

Meu coração nunca dispara com um beijo dele...

Eu não gosto do seu perfume.

Eu não fico com saudades quando ele não esta comigo.

Meus versos não são para ele.

Sua voz não me causa efeito algum.

Não sinto ciúmes de dele...

Não me importo se ele esta bem ou mal.

Não dependo dele para ter um bom dia.

Ele não passa de uma aventura...

EU VIVO MUITO BEM SEM ELE!


[Numa tentativa frustrada, Dulcineia tenta, inútilmente, convencer seu coração com suas inverdades e livrá-lo dessa dependência que ele lhe causa. "Oh Deus, tira esse sentimento de mim"]

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Inconformável




"Oh Deus, tira esse sentimento de mim", diz ele em imitação a alguém que disse aquela frase. Foi o que pediu naquele "longo" final de semana. Agora entendia o que a frase queria dizer. E na verdade não gostava.

Ela tinha passado o final de semana fora. Obrigada, foi com os pais a um Hotel Fazenda, onde a comunicação pelo celular era quase impossível. Sem dúvida ela preferiria ter ficado com ele. Foi nisso que pensou nos dois dias em que estivera longe. O sentimento que tinha era de que as horas não passavam e estava a um continente de distância dele. A verdade, porém, era que o hotel ficara a 30km de distância apenas, e mesmo tão "perto" o intinerário foi simples: Filmes, Ele, sono, Ele, TV e um pouco mais dele. Sentia até raiva por perder tanto tempo pensando naquele homem, porém a conformidade já tinha chegado a ela. Para ele, por sua vez, era mais difícil aceitar aquela dependência... Outra vez!

-Lavei o rosto e disse para mim: Vai cara, olha que dia lindo! vai curtir, liga para uns amigos ou "amigas" e vai para o Rio de Ondas. Deixa de ser fresco...
-E você não foi amor? Diz que é tão pragmático e movido pela razão... Porque não foi?
-Não, não fui! Respondeu rude. - Não consegui, e estou odiando essa dependência. Não quero isso para mim. Eu sou homem pô! Continuou reclamando ele. - Eu tinha é que ficar feliz que você não estava aqui, e ter aroveitado e não ter ficado aqui sentindo sua falta!

Ela sorriu e beijou-o. Ela já nem se lembrava das vezes em que perdeu o dia pensando nele. E nem das vezes em que se odiou por isso. Se deu ordens para aproveitar o dia e acabou ficando em casa assistindo filmes, torcendo para as horas ou dias passarem depressa para que pudesse vê-lo. Nunca tinha sido assim tão boba, porque inventara de ser agora? Lutar, no entanto, de nada adiantava, afinal, até quando dizia para não pensar mais nele, estava pensando.

Estava além da sua vontade e ela aceitava. Já se entendia apaixonada, conectada a ele, e tola. Muito tola. Aliviava-a saber que não estava só naquilo... Saber que ele também sentia sua falta quando ausente. Que pensava nela, que ligava várias vezes até que conseguisse falar com ela. E que mesmo não aceitando, a amava como ela a ele. Estava rendida e aguardava até que ele fizesse o mesmo.

Vamos, meu amor... Se rende e me ame. Só me ame que não é tão ruim quanto parece. Aliás, tudo na vida passa não é? Até uva-passa! Vamos aproveitar enquanto ainda não passou...

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Antes de ir


Te amo. A centímetros de distância, ou a constelações longe de você. Te amo assim mesmo. SEm explicação, lógica... Porque! Te amo nessa vida, nas passadas... E nas que virão!

[De Dulcineia para Dom]






quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Ele é O Cara!

Dulcineia notou que a sala de estar parecia mais escura. Ou estava prestes a desmaiar, ou já era realmente tarde. Embaixo de Dom, e com ele dentro de sí, a disposição para ir para casa parecia não existir. Estavam suados, e com a respiração ofegante, resultado de muito... Muito tempo de sexo.

Normalmente já tinham preliminares demoradas, e aproveitavam ao máximo assim como ao ato sexual, porém, naquela tarde passaram mais tempo com a penetração do que todas as outras vezes. Ela levantou rápidamente assustada com o avançar da hora. Apesar de ter idéia de que já deveria ser tarde. Seis da tarde, e ainda precisavam se preparar para irem à faculdade. Ele com meia hora, ela com aproximadamente quarenta minutos.

Levantou rapidamente e sentiu as pernas banbearem. Achou graça. Se vestiu sem muito equilíbrio e com pressa pois ainda precisava buscar sua irmã. Sorriu ao olhar para o rosto de Dom, imaginando que o seu provávelmente estaria semelhante. Olheiras fundas, masrcas no colo e nas costas, e fome. Muita fome! E não fosse a necessidade de ir para casa, Dulcineia poderia passar mais tempo aproveitando o sexo com ele.
Andou com pressa pela rua, levando nos lábios aquele sorriso bobo. Sonolenta e ainda faminta [não tinha tido tempo de comer], Dulcineia entrou na sala de aula onde Dom estava, e se olharam com cumplicidade. Ninguém poderia imaginar, mas os dois sabiam. Realmente Dom era um homem que deixava uma mulher de pernas banbas... E haja fôlego!