
Ela girava a aliança dourada e grossa no anular esquerdo, enquanto falava. Tinha uma voz baixa e macia quase inaudível da distância de onde os observava. Trazia no rosto marcas de sorriso deixadas pela idade. Ainda assim, aparentava bem menos que os quarenta anos que realmente tinha. Os olhos castanhos e serenos olhavam com ternura para o companheiro ao lado. Deveriam estar juntos a mais de vinte anos e aquele olhar continuava o mesmo.
Ele, por sua vez, tinha uma voz altiva. De onde eu estava ouvia perfeitamente falar de sua saúde e dos problemas que lhe dera nos últimos meses. A protuberância debaixo da camisa azul escuro que usava, deixava claro que tinha se recuperado bem desde sua saída do hospital a um mês atrás. Vez por outra, tocava as mãos da esposa ou sorria amavelmente quando falava do tempo em que ficaram separados.
Sua aparência revelava a diferença de idade entre eles, ou o resultado dos problemas de saúde. O rosto repleto de rugas e cabelos grisalhos fazia-no aparentar uns sessenta anos. Era mais baixo que ela e tinha a mesma simpatia no sorriso. Gesticulação constante e a voz forte demonstravam uma menor inibição do que ela. Talvez isso fizesse deles um “casal perfeito”.
Despediram-se da minha mãe – conversavam com ela – que passou rapidamente por mim [estava atrasada, como sempre]. Fiquei ainda observando o casal que me chamou a atenção. Não por suas aparências ou histórias de vida. O que realmente prendeu minha atenção a eles foi o carinho com que se tratavam. Aliás, desde a última vez que os vi, acho que a uns três anos atrás, havia atentado àquilo.
Existem aqueles que não acreditam no carinho e romantismo após muitos anos de casamento. Na verdade, não me excluo dos que compartilham essa opinião. Mas para contrariam meu ceticismo, existem casais como eles dois que se amam igualmente ou ainda mais com o passar dos anos.
Outro valor que imaginei praticamente inexistente é o cavalheirismo. Dificilmente vejo isso em casais de jovens namorados, quanto mais em companheiros de longa data. Talvez a referência que tenha em casa [meus pais] me fizeram pensar dessa maneira. Mas aquele casal... Ah, eles são como gostaria de ser um dia.
Antes de ir ela ajeitou a gola da camisa do marido. Sorri ao perceber a semelhança comigo mesma, ao fazer aquilo. Ele a tomou pela mão, e a levou em direção ao carro. Abriu a porta e esperou que ela se acomodasse antes de fechá-la. Rodeou o Astra preto e deu a partida no carro. Fiquei surpresa com o ato de atenção e cavalheirismo. Tantos anos juntos e agiam como se ainda fossem namorados...
Ele, por sua vez, tinha uma voz altiva. De onde eu estava ouvia perfeitamente falar de sua saúde e dos problemas que lhe dera nos últimos meses. A protuberância debaixo da camisa azul escuro que usava, deixava claro que tinha se recuperado bem desde sua saída do hospital a um mês atrás. Vez por outra, tocava as mãos da esposa ou sorria amavelmente quando falava do tempo em que ficaram separados.
Sua aparência revelava a diferença de idade entre eles, ou o resultado dos problemas de saúde. O rosto repleto de rugas e cabelos grisalhos fazia-no aparentar uns sessenta anos. Era mais baixo que ela e tinha a mesma simpatia no sorriso. Gesticulação constante e a voz forte demonstravam uma menor inibição do que ela. Talvez isso fizesse deles um “casal perfeito”.
Despediram-se da minha mãe – conversavam com ela – que passou rapidamente por mim [estava atrasada, como sempre]. Fiquei ainda observando o casal que me chamou a atenção. Não por suas aparências ou histórias de vida. O que realmente prendeu minha atenção a eles foi o carinho com que se tratavam. Aliás, desde a última vez que os vi, acho que a uns três anos atrás, havia atentado àquilo.
Existem aqueles que não acreditam no carinho e romantismo após muitos anos de casamento. Na verdade, não me excluo dos que compartilham essa opinião. Mas para contrariam meu ceticismo, existem casais como eles dois que se amam igualmente ou ainda mais com o passar dos anos.
Outro valor que imaginei praticamente inexistente é o cavalheirismo. Dificilmente vejo isso em casais de jovens namorados, quanto mais em companheiros de longa data. Talvez a referência que tenha em casa [meus pais] me fizeram pensar dessa maneira. Mas aquele casal... Ah, eles são como gostaria de ser um dia.
Antes de ir ela ajeitou a gola da camisa do marido. Sorri ao perceber a semelhança comigo mesma, ao fazer aquilo. Ele a tomou pela mão, e a levou em direção ao carro. Abriu a porta e esperou que ela se acomodasse antes de fechá-la. Rodeou o Astra preto e deu a partida no carro. Fiquei surpresa com o ato de atenção e cavalheirismo. Tantos anos juntos e agiam como se ainda fossem namorados...

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