domingo, 31 de agosto de 2008

Amor sem gosto de latex


[Ilustração: Gustav Klimt]
Ele passa a mão pelos cabelos
Abre a porta, olha em volta
e ela ri.
Entra estabanada
Sem palavras o beijo.
Cara de sono
É como parece sempre
Não dormiu bem, amor?
Tão cinza e quente a cidade
Pela janela da cozinha
O domingo quieto.
Vou tomar um banho
Porque você nunca me deixa ir?
Abraçados no colchão da sala
Uma história, um filme
Ela brinca
Só para ver sua reação
E saber que se importava.
Zangado
Era assim que ficava
Sabe que eu te amo né, amor?
Adorava a cara que fazia
E o sorriso sarcástico
Pintado no rosto
Sem graça, ou motivo
"Levemente" irritado.
"Você vê o quanto é importante para mim?
Tenho ciúmes até do vendo"
Os corpos tão próximos
Reagem por sí só
E se buscam...
Uníssono
Eles falam entre sí
E sós se entendem.
O amor sem gosto de latex
Pela primeira era ele de verdade
Invadindo-a...
E ela o deixou entrar
Novo e impressionante
O mesmo que sentira na boca
Dentro de si
E sentia o calor, a pulsação
Uma sensação maior
Assim como o prazer.
Orgasmos
Duplos ou triplos
Quem vai ficar contando?
Deitados num abraço
Um como extenção do outro
A virilidade coberta pelo esperma
O sorriso relaxado dele
O suspiro satisfeito dela.
[Numa deliciosa tarde de domingo]

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